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Linguagista

Uma ortografia doente

Pobres leitores, pobre língua

 

  «A maior parte (15,1 milhões) é para realizar ensaios clínicos na Europa e África, coordenados pelos laboratórios GlaxoSmithKline, de uma vacina experimental. O resto é partilhado entre os já referidos ensaios de utilização de soro; um estudo de segurança e eficácia contra o ébola de um anti-viral usado contra a gripe (2,6 milhões); um estudo sobre a segurança e eficácia do uso nos doentes de anticorpos anti-ébola produzidos em cavalos (2 milhões); e uma pesquisa sobre as interacções do vírus de ébola com o organismo humano (1,8 milhões)» («Ensaio clínico para soro anti-ébola», Ana Gerschenfeld, Público, 24.10.2014, p. 35).

   Já são muitos erros, Ana Gerschenfeld. É claro que se escreve antiviral. Quanto ao «anti-ébola», o erro é duplo: teria de ser *«antiébola». Mas não: não temos antiemese, mas antiemético; não temos antiepilepsia, mas antiepiléptico; não temos antiepidemia, mas antiepidémico, e por aí fora. Então, se tivéssemos necessidade (temos?), criaríamos o adjectivo «antiebólico».

 

[Texto 5180]