Uma ortografia em forma de assim

Aqui não há acordo

 

      «“Señores guardias civiles/Aqui pasó lo de siempre/Han muerto quatro romanos/Y cinco cartagineses”, escreveu Federico Garcia Lorca, pouco antes de o terem despachado sem cerimónia no escuro da noite andalusa, como mais um cartaginês. [...] Tudo bule com as nossas tradições. Dantes tínhamos o nosso 31 de Janeiro, no Porto. Resta-nos o 1 de Fevereiro, em Lisboa: ceguinhos a cantar que tinham morto [sic] o Rei e o Príncipe Real e fora triste cena de horror no Reino de Portugal» («Nada muda muito», José Cutileiro, TSF, 31.01.2020, 8h51).

      Só por fazer fronteira com Portugal, não se justifica dar esse cunho tão luso à Andaluzia. «O autor não escreve segundo a grafia alterada pelo Acordo Ortográfico de 1990», avisam-nos, mas isso não chega. Quanto ao «bule», tive de reler a frase, pois inicialmente, e não estou a brincar, como é sobre os Ingleses, era natural aparecer ali um bule. A terceira pessoa do singular do verbo bulir, José Cutileiro, é «bole». Pese embora o u do radical, na 2.ª e 3.ª pessoas do singular e na 3.ª do plural passa a o.

 

[Texto 12 751]

Helder Guégués às 08:15 | favorito
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