«Vaticanício»?

Alvíssaras

 

      «Nessa perspetiva, não há como riscar do topo da lista dos suspeitos, [sic] o arcebispo Marcinkus, que estava com a cabeça a prémio por causa das suspeitas de negócios fraudulentos envolvendo o IOR, o cardeal Villot, que não suportava o pendor revolucionário de Luciani e que foi quem ordenou o polémico embalsamamento do corpo [do Papa João Paulo I], e o banqueiro Calvi que, com o seu Ambrosiano em queda livre, precisava desesperadamente do amparo vaticanício» («Quarenta anos depois da grande conspiração», Secundino Cunha, «Domingo»/Correio da Manhã, 9.09.2018, pp. 31-32).

      Nunca eu tinha visto «vaticanício» antes de ler este texto. Português não é, nem castelhano, catalão ou italiano — donde vem? Dão-se alvíssaras. Com que critério se usa uma palavra assim? Bem, em texto meu é que ninguém alguma vez vai ver «embalsamamento». Soa tão mal este «samamento»... Se temos, mais breve, «embalsamento», para quê ficar ali a patinar nas sílabas?

 

[Texto 11 233]

Helder Guégués às 08:18 | comentar | favorito